
Essa semana a Lionsgate anunciou um remake de Dirty Dancing, filme de sucesso dos anos 80. Típica história sobre superar-através-da-dança-e-tudo-o-que-eu-quiser-o-cara-lá-de-cima-vai-me-dar, Dirty Dancing (1987) é um filme pra lá de brega que fala sobre a relação do professor de dança Johnny Castle (Patrick Swayze) e Frances 'Baby' Houseman (Jennifer Grey). Na verdade, a história é sobre a transição feminina da adolescência para a vida adulta.
Frances, chamada por todos de "Baby", passa férias com a família em um hotel onde se apaixona pelo instrutor de dança, Castle. Porém, o romance precisa superar o preconceito da sociedade. E dos dois.
Vencedor do Oscar de Melhor Canção Original, o filme tem Patrick Swayze em grande forma física. Além do inegável talento de dançarino, o ator ainda manda bem ao cantar a chicletíssima She's Like the Wind.
Do outro lado do casal, está Jennifer Grey, que era o patinho feio de sua geração, mas que tinha um grande talento dramático. O mais impressionante aqui é pegar uma moça que sabe dançar interpretando bem uma que não sabe. Jenniffer - que fazia a irmã de Ferris em Curtindo a Vida Adoidado - vai muito bem no papel.
Hoje em dia o filme passa com todos os cortes possíveis, mas mesmo em sua versão original era difícil não perceber os furos e os clichês do roteiro de Eleanor Bergstein. A direção de Emile Ardolino não ajuda muito e é cercada de lugares comuns em tudo que não tenha música.
Em alguns momentos, Dirty Dancing parece até uma novela de tantos elementos óbvios. Por exemplo, a direção optou por deixar Baby com roupas leves e coloridas enquanto Castle sempre usava roupas mais escuras e revoltadas. Só faltava mesmo aquele excesso de closes.

A pretensão da história era falar sobre o crescimento de Baby em Frances. Durante o início do filme ela não é ouvida ou respeitada por ninguém e é sempre tratada como criança. Apenas quando começa a se relacionar com Castle ela escolhe seu próprio caminho. A dança é só uma metáfora para essa passagem e que tem seu clímax a cena do salto: um passo que exige capacidade e confiança, atributos que toda mulher consegue com o tempo.
Antes de chamar Frances para a última apresentação, Castle diz para os pais "ninguém a deixa de lado". Ela deixa a família de lado para ficar com o homem que escolheu. Brega, mas, acima de tudo, feminino.

Mesmo com esse abandono, a personagem ainda tem tempo para ouvir seu pai pedindo desculpas e dando a benção para a relação. Uma alegoria de um casamento em que a noite de núpcias é feita ali no palco. Talvez o grande mérito da história e do roteiro seja esse: o de metaforizar a história que toda adolescente feminina queria ver. Do crescimento até o encontro com o grande amor.
O filme ainda gerou uma continuação. Dirty Dancing 2 - Noites de Havana se passa em 58 e foi filmado em 2004. O filme teve Swayze repetindo seu personagem, mas acabou com desconhecidos embora Britney Spears, Natalie Portman e Jennifer Lopez tenham sido cotadas para o papel feminino, mas a desconhecida Romola Garai foi a escolhida. Ricky Martin chegou a ser cogitado para viver Javier Suarez, que acabou com Diego Luna.
Até mesmo uma peça de teatro foi feita inspirada no filme. Isso para não falar de uma obscura série de TV que repetia os mesmos personagens, mas que teve apenas onze episódios. Melora Hardin e Patrick Cassidiy viveram o casal principal. Nada desses spin-offs valem mais a pena do que um relançamento nos cinemas.
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