
Ele talvez tenha sido o primeiro grande artista a usar - e bem - a sua imagem em clipes. Ao contrário de Madonna que apelava para alegorias e metáforas, o cantor usava e abusava de um talento fantástico - palavra que o próprio Fred Astaire usou para descrevê-lo - para a dança e um interesse por contar histórias em clipes. Não é coincidência que o início, meio e fim de suas músicas sejam mais marcantes do que qualquer amontoado de imagens que vemos hoje em dia. A sua morte não muda isso.
Também conhecido como "o melhor filme de Wesley Snipes", o clipe de Bad foi lançado em 1987 e o álbum homônimo foi imediatamente posterior ao épico Triller. Esse lançamento marcou o início dos boatos excêntricos sobre Michael como a câmara hiperbárica (em que supostamente dormiria para não envelhecer). A pele mais pálida ia se tornando indisfarçável e o fato do artista não explicar o vitiligo que sofria não ajudou. Somente seis anos depois Michael revelaria a verdade para a apresentadora Oprah Winfrey.
A música marcou o fim da parceria entre o cantor e o produtor Quincy Jones, que lembrava que a canção foi composta inicialmente para ser um dueto entre Michael e Prince. Felizmente, o cantor da embaraçosa Batman não gostou da letra. Faz sentido.
O bordão Who's Bad? se tornou um dos maiores bordões da música pop e marcou não só o cantor, mas consolidou a imagem viril e durona que ele tentava passar, mas que ficaria manchada após tantos escândalos. Com 18 minutos, o videoclipe é dirigido por Martin Scorcese, que fazia um estágio para o vindouro Gangues de Nova York. Com o custo de impressionantes 2,2 milhões de dólares conta a história de um ex-marginal que vai estudar em uma escola distante dos amigos. Ao voltar, eles tentam obrigá-lo a retornar às origens. Fresh Prince Of Bell-Air feelings...
Apesar de sua segunda versão mais internacional, They Don't Care About Us será sempre lembrada por brasileiros como o clipe que o cantor filmou no País. Seja no Pelourinho ou no cenário da favela carioca, o cantor com a camisa do grupo Olodum - ou com a escarlate em que é derrubado por uma fã - e saudado por rapazes tocando tambor é uma imagem pra lá de poderosa. Especialmente pela forte batida da música.
Michael tinha cerca de 40 anos na época, mas ainda conservava todo o vigor e agilidade que o consagraram. A música foi feita depois de sucessos como Jam e Remember The Time, mas reverberou em todo mundo. Michael chama uma criança para dançar de uma forma muito semelhante a que faz em Black or White (com uma menina vestida de indiazinha).
Indicada a quatro grammys em 1984 e vencedora de duas (Desempenho Vocal R&B Masculino e Canção R&B) , a música ficou sete semanas no topo como a mais tocada. Com uma pegada bem diferente da vibe rockeira que compôs boa parte de seus sucessos, a música é uma melodia dançante sobre um homem e uma mulher com uma criança. Billie jean is not my lover talvez seja mais do que um verso ou uma explicação, mas uma lei ou impossibilidade do eu lírico da letra em se relacionar com aquela rainha. Vale lembrar que na maioria dos clipes em que contracenava com mulheres, Michael nunca terminava beijando nenhuma. Relações quase palpáveis, mas que jamais seriam concretizadas?
O vídeo traz um cenário quase noir com um Michael dançante iluminando calçada e degraus com seus passos e o artista desaparece após se deitar na cama com uma pessoa (que não vemos quem é, mas que parece ser um adulto, independente do sexo). Emblemático.
Destaque para o cenário mambembe no fundo.
Existe um clichê em falar que Michael não fazia mais nada que prestasse desde os anos 80. Mito. Black or White e todo CD/LP Dangerous são um grande soco escancarado na mormice do pop nos anos 90 e um retorno triunfante do Rei do Pop. O clipe até hoje impressiona pelos efeitos especiais e pela temática que dá nome ao seu título. De uma forma criativa e polêmica, o cantor respondia aos boatos que questionavam se a sua mudança de cor era causada por uma doença de pele ou por uma vaidade pessoal. Anos depois, em visita ao Brasil, o artista seria filmado de perto pela Rede Globo. Na época, as imagens mostravam uma boa dose de maquiagem mascarando os efeitos do vitiligo.
Além das diversas locações mostrando cenários do mundo inteiro, o clipe tem o astro Macaulay Calkin, que até hoje garante que Michael nunca abusou de crianças. Apesar da montagem brilhante e definitiva com a transformação em uma pantera negra - metáfora da cor que o artista sempre se orgulhou - o clipe teve diversas cenas maravilhosas que jamais entraram na edição final. A letra está um degrau abaixo do seu verso e muitos andares abaixo do próprio clipe.
Pode não ser o seu favorito, mas não há como retirar Thriller dessa posição. Além de nomear o álbum mais vendido da história, produzido pelo selo Epic, o clipe é um dos mais inovadores e contou com o diretor John Landis, que Michael passou a admirar após ver seu então mais recente filme: Um lobisomem americano em Londres. Thriller já nasceu clássico ao reproduzir elementos ainda vigorosos na cultura pop: a mocinha medrosa, o mocinho incauto, a noite aterrorizante e, é claro, zumbis.
A declaração de Astaire que citei no início desse post veio justamente após ver esse clipe. A coreografia era inovadora e virou febre daquele verão em qualquer parte do mundo. Mesmo porque em 83 era muito mais difícil ver e rever esse tipo de produção. Anos depois, os Backstreet Boys fariam uma "homenagem" ao reproduzirem a temática com um passo semelhante em Backstreet Back, com um resultado mais constrangedor do que a própria música merecia. Michael podia não ter visto essa...
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