Aqui é o espaço da Ação Comunitária, onde você poderá saber um pouco mais a respeito dessa ONG que procura empreender a educação infantil, de adolescentes e jovens com as bases dos programas firmadas em educação, cultura e cidadania. Todos os colaboradores estão interligados por um objetivo principal: incentivar e apoiar organizações de bairro, possibilitando ações de educação, cultura, empregabilidade e cidadania dos moradores atendidos nas diversas comunidades.
No último dia 25, eu, que sou professor há um bom tempo e já vi exposições de colégio por dúzias de vezes, tive o privilégio de ir a um evento diferente. Estou falando da 4ª edição da Mostra Cultural 2008 da Ação Comunitária que, afirmo sem medo, nem me fez lembrar dos defeitos clássicos que as apresentações da maioria das escolas costumam ter: alunos participando só por causa de nota, público desinteressado...
Para falar a verdade, a Mostra Cultural até contou com os pontos habituais de uma feira escolar: apresentações sortidas, trabalhos expostos, teatrinhos e afins. Só que, como o evento juntou os diversos centros educacionais apoiados pela Ação, cada um deles pôde mostrar os melhores trabalhos realizados durante todo o ano. Resultado: o material exposto tinha uma grande variedade de temas e muita coisa de qualidade (os quadros do pessoal do Centro de Promoção Humana São Joaquim Sant’Ana, por exemplo, eram de deixar qualquer um com o queixo caído). Como não se interessar?
Todo mundo ali sabia que a diferença real não estava apenas no bom trabalho apresentado, mas, principalmente, no orgulho e na alegria de cada um dos participantes em realizá-lo. Conversei com um garoto chamado Douglas dos Santos, 16 anos, aluno do Jardim Boa Sorte, e ele pareceu ser um pouco tímido, fechado. Pouco antes de ir embora, porém, passei no local em que os trabalhos de seu bairro estavam expostos e ele sorriu, sem nenhum constrangimento, com uma cara de “E aí, gostou?”.
Ele não foi o único a ficar animado com o interesse pelos trabalhos da sua região. Inúmeros jovens pareciam contentes com qualquer tipo de aproximação às suas criações e eram extremamente solícitos para responder a qualquer pergunta. Quanta diferença para as modorrentas apresentações escolares, não?
Além dos educandos, pasmem, os educadores pareciam, também, extremamente empolgados. Não consegui encontrar em toda a Mostra um único professor com um ar blasé, cara de impaciente ou querendo que o local sofresse um ataque terrorista para tudo terminar mais rápido. Os professores por lá presentes, estavam claramente felizes, orgulhosos, satisfeitos; estavam literalmente presentes.
Elenita da Silva e Marinéia Lopes, educadoras do Instituto Beneficente Provisão, tiraram todas as minhas dúvidas antes mesmo de eu fazer qualquer pergunta. O projeto organizado por elas, vale dizer, é admirável – elas trabalharam com o Corpo como tema principal do ano, gerando, com os estudantes, reflexões extremamente interessantes sobre, por exemplo, a sexualidade nas obras de arte. “Mas, não pense que foi fácil.” – ressaltou Elenita – “Tivemos de enviar comunicados para os pais para evitar qualquer tipo de reação negativa a esse tipo de estudo”. “O resultado foi muito positivo. Você nem imagina como foi interessante refletir sobre os preconceitos dos alunos ao falarmos sobre os padrões de beleza atuais e de outras épocas”, completou Marinéia. Eu aposto que até professores que sabem muito bem como trabalhar preconceitos ficariam admirados.
Outros educadores falavam com tanto carinho dos alunos e do interesse dos estudantes pelos projetos que eu não acharia nada estranho se algum deles desse uma de avó e começasse a tirar fotos dos alunos de dentro da carteira para mostrar para todos. “Os alunos foram fantásticos, eles que tocaram todo o projeto. Eu só precisei dar o empurrão inicial”, contou a professora Maria Ladjane, da Cidade Júlia, extremamente orgulhosa dos resultados do projeto de valorização do bairro. “Eles, dos pequenos aos maiores, foram todos uma graça.”.
O clima na Mostra era tão bom e os resultados positivos tão claros que mesmo aqueles que não eram nem professores, nem alunos enchiam a boca para elogiar. Daniela Gentil, gerente de Responsabilidade Social da Ultragaz(uma das empresas parceiras da Ação Comunitária), disse o quanto é bacana ver os bons frutos que podem ser colhidos de um trabalho tão sério quanto o da Ação. Ela elogiou também o sistema de avaliação da ONG (o SAMIS – Sistema de avaliação de mudanças e impactos sociais), dizendo o quanto é positivo para uma empresa grande como a Ultragaz saber direitinho como os seus recursos têm sido investidos.
A próxima Mostra organizada pela da Ação Comunitária só vai acontecer no final de 2009. É até bom saber disso, pois vou ter o ano todo para indicá-la para os meus colegas professores. Quem sabe eu não acabo tendo o privilégio de ver uma mostra cultural tão interessante assim em um dos colégios em que trabalho, não é verdade?
Ulisses Ardit
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