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Aqui é o espaço da Ação Comunitária, onde você poderá saber um pouco mais a respeito dessa ONG que procura empreender a educação infantil, de adolescentes e jovens com as bases dos programas firmadas em educação, cultura e cidadania. Todos os colaboradores estão interligados por um objetivo principal: incentivar e apoiar organizações de bairro, possibilitando ações de educação, cultura, empregabilidade e cidadania dos moradores atendidos nas diversas comunidades.


Já assistiu a um daqueles filmes clássicos em que o professor vai para um bairro problemático trabalhar em uma escola ruim? No começo, o mestre é pego de surpresa e acaba encontrando muito mais dificuldade do que havia imaginado. Isso, entretanto, não o faz desistir. Depois que a história avança, com o apoio de uma emocionante trilha sonora, é possível perceber que ele não só influenciou os alunos a melhorarem, como, também, a própria região. Acha que isso só acontece em Hollywood? Que é coisa de filme? É melhor começar a rever os seus conceitos, pois o trabalho feito na União dos Moradores da Cidade Júlia mostra exatamente o contrário.



No ano de 2008, os alunos do Programa Crê-Ser tiveram o privilégio de estudar alguns artistas plásticos, principalmente Tarsila do Amaral. A pintora paulista, com todas as suas telas de cunho social, é perfeita para despertar uma visão política mais rica nos estudantes. Além disso, valorizando as paisagens do país, algumas de suas obras ajudam a abrir os olhos para o mundo à nossa volta.



Brilhantemente, os professores do Crê-Ser conciliaram esse trabalho com outro, de resgate às características do bairro. Foram realizadas pesquisas para saber mais sobre o passado da região, as pessoas que dão nome às ruas e os moradores em geral. Várias atividades envolvendo a população do local foram feitas e passeios com os alunos pela vizinhança eram quase rotina.



Meses depois, sem a necessidade de trilha sonora, já era possível perceber as mudanças. Parecia que a região ganhava fãs entre os seus próprios moradores. “Você precisava ver!”, conta, empolgada, a educadora Maria Ladjane, 34 anos, “Quando falavam daqui, ninguém mais dizia ‘o morro’ e, sim, ‘o nosso morro’, ‘a nossa praça’. Todos ganharam um grande amor pelo nosso bairro”. O exemplo das crianças logo começou a contagiar o restante da população – e o resultado é visível. Lixo na rua, por exemplo, deixou de fazer parte da paisagem habitual.



Agora essa boa semente precisa ser jogada em outros terrenos. Se isso for feito com o mesmo amor, pode apostar que vai funcionar muito bem. E nem será necessário esperar uma Michelle Pfeiffer ou um Samuel Jackson aparecer...

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Legenda das imagens:
1) Michelle Pfeiffer em Mentes Perigosas, de John N. Smith (1995).
2) Morro da Favela, Tarsila do Amaral (1924).
3) Samuel L. Jackson em Coach Carter, de Thomas Carter (2005).
4) Sidney Poitier em Ao Mestre, com carinho, de James Clavell (1966).

Ulisses Adirt



Os gregos da Antiguidade são tão admirados pela sua literatura, filosofia, teatro que, muitas vezes, as pessoas esquecem que eles foram dominados por um povo menor, sem tantos recursos e conhecimentos: os macedônios, no século IV a.C.. O domínio macedônico, entretanto, longe de destruir a cultura grega, fez questão de incorporar-se a ela e, melhor ainda, ajudou a difundi-la. Sem eles, provavelmente, a herança cultural clássica não seria tão forte.

Assim como os macedônios fizeram tanto pela cultura na Antiguidade, existe um trabalho muito bonito de difusão cultural sendo feito atualmente aqui em Sampa, no Jardim Macedônia . A Sociedade Amigos de Bairro do Jardim Macedônia comprou, em 1977, um terreno para a montagem de uma pré-escola e, em 1982, começou um convênio com a Ação Comunitária. Hoje, no número 163 da rua Soriano de Albuquerque existe um núcleo do Programa Crê-Ser (mantido graças ao apoio das empresas Gerdau e Bombardier).

Durante o ano passado, os educadores do núcleo fizeram um trabalho temático muito interessante chamado "O Corpo Brinca, Movimenta e faz História". Com fortes idéias multidisciplinares e diversas atividades que possibilitaram aos alunos, de maneira lúdica, aprender mais sobre o mundo que os rodeia, sobre eles próprios e a vida. O resultado, segundo a educadora Verirde Souza, foi um envolvimento extremo dos alunos nas atividades, interessando-se até mais do que os próprios professores esperavam.

"Os alunos se interessaram tanto que tem mais gente sabendo da pesquisa pelo bairro do que nós mesmos pensamos quando tivermos a idéia do projeto. Tudo se espalhou muito rapidamente", disse Verirde. O resultado do trabalho foi apresentado para toda a comunidade em dezembro, no espetáculo "Mover, cantar e brincar".

O macedônio Alexandre, o Grande, conseguiu espalhar a cultura helênica pela Ásia, África e Europa. É claro que a amplitude de conquistas do trabalho feito no Jardim Macedônia não é tão grande, mas, tendo em vista os bons resultados que o programa tem conseguido obter, não duvido que algum dos participantes do Crê-Ser, se realmente quiser, consiga um feito ainda melhor do que o de Alexandre Magno. Você duvida?

Ulisses Ardit



O auditório do Centro de Convenções Senac Santo Amaro parou por algumas horas no dia 25 de novembro. Entre relatos de experiências, danças, capoeira e apresentações teatrais, uma platéia comovida prestigiou o trabalho de educadores e alunos da Ação Comunitária, na 4ª edição da Mostra Cultural. O silêncio da platéia era interrompido apenas para uma aclamação orgulhosa dos trabalhos apresentados.

Neste ano a Ação Comunitária comemorou o sucesso do Projeto Som, Ritmo e Movimento, que proporciona para crianças, adolescentes e jovens atividades de musicalização, teatro, danças, práticas desportivas e capoeira e visitas monitoradas a centros culturais da cidade. Incentivado pela Lei Rouanet e desenvolvido pelo Núcleo de Cultura e Lazer da Ação Comunitária, o principal objetivo do projeto é ampliar o universo sócio-cultural dos alunos.

"O Projeto Som, Ritmo e Movimento proporciona o acesso de crianças, adolescentes e jovens a atividades culturais e lúdicas, com forte envolvimento de educadores, lideranças e famílias dos beneficiados", diz Celso Freitas, superintendente da Ação Comunitária.

Paralelamente às apresentações, 35 projetos desenvolvidos pelos educadores nas organizações de bairro parceiras da Ação Comunitária foram apresentados em forma de estandes, como o trabalho "Transformando a sucata em jogos e brinquedos", do Instituto Cuore, que reaproveitou e transformou alguns materiais que seriam desperdiçados em itens de diversão que serão utilizados pelas crianças e adolescentes do programa Crê-Ser.



A programação da Mostra começou com um vídeo que apresentou alguns dos resultados da Ação em 2008, entre eles:

• Atuação em 31 comunidades;
• 5.800 crianças e adolescentes atendidos;
• 110 visitas monitoradas realizadas.



Em seguida, o público acompanhou os relatos de experiências dos jovens do PPT (Preparação para o Trabalho), apresentações de capoeira da Associação à criança, ao adolescente e jovem do Icaraí e do Movimento Renovador Paulo VI, além de musicais, como o das crianças da Associação do Moradores do Jardim Boa Sorte.



Com patrocínio de empresas como Abbott, Banco Sofisa, Bradesco, M.Cassab, Pacaembu Autopeças, Pinheiro Neto Advogados, Promon, Rohr, Schneider Electric, Serasa e Ultragaz e com apoio do Ministério da Cultura e do Governo Federal, a Mostra fechou com chave de ouro as atividades deste ano, em que a Ação Comunitária completou 40 anos de existência.


Cláudia Midori





No último dia 25, eu, que sou professor há um bom tempo e já vi exposições de colégio por dúzias de vezes, tive o privilégio de ir a um evento diferente. Estou falando da 4ª edição da Mostra Cultural 2008 da Ação Comunitária que, afirmo sem medo, nem me fez lembrar dos defeitos clássicos que as apresentações da maioria das escolas costumam ter: alunos participando só por causa de nota, público desinteressado...

Para falar a verdade, a Mostra Cultural até contou com os pontos habituais de uma feira escolar: apresentações sortidas, trabalhos expostos, teatrinhos e afins. Só que, como o evento juntou os diversos centros educacionais apoiados pela Ação, cada um deles pôde mostrar os melhores trabalhos realizados durante todo o ano. Resultado: o material exposto tinha uma grande variedade de temas e muita coisa de qualidade (os quadros do pessoal do Centro de Promoção Humana São Joaquim Sant’Ana, por exemplo, eram de deixar qualquer um com o queixo caído). Como não se interessar?

Todo mundo ali sabia que a diferença real não estava apenas no bom trabalho apresentado, mas, principalmente, no orgulho e na alegria de cada um dos participantes em realizá-lo. Conversei com um garoto chamado Douglas dos Santos, 16 anos, aluno do Jardim Boa Sorte, e ele pareceu ser um pouco tímido, fechado. Pouco antes de ir embora, porém, passei no local em que os trabalhos de seu bairro estavam expostos e ele sorriu, sem nenhum constrangimento, com uma cara de “E aí, gostou?”.

Ele não foi o único a ficar animado com o interesse pelos trabalhos da sua região. Inúmeros jovens pareciam contentes com qualquer tipo de aproximação às suas criações e eram extremamente solícitos para responder a qualquer pergunta. Quanta diferença para as modorrentas apresentações escolares, não?

Além dos educandos, pasmem, os educadores pareciam, também, extremamente empolgados. Não consegui encontrar em toda a Mostra um único professor com um ar blasé, cara de impaciente ou querendo que o local sofresse um ataque terrorista para tudo terminar mais rápido. Os professores por lá presentes, estavam claramente felizes, orgulhosos, satisfeitos; estavam literalmente presentes.

Elenita da Silva e Marinéia Lopes, educadoras do Instituto Beneficente Provisão, tiraram todas as minhas dúvidas antes mesmo de eu fazer qualquer pergunta. O projeto organizado por elas, vale dizer, é admirável – elas trabalharam com o Corpo como tema principal do ano, gerando, com os estudantes, reflexões extremamente interessantes sobre, por exemplo, a sexualidade nas obras de arte. “Mas, não pense que foi fácil.” – ressaltou Elenita – “Tivemos de enviar comunicados para os pais para evitar qualquer tipo de reação negativa a esse tipo de estudo”. “O resultado foi muito positivo. Você nem imagina como foi interessante refletir sobre os preconceitos dos alunos ao falarmos sobre os padrões de beleza atuais e de outras épocas”, completou Marinéia. Eu aposto que até professores que sabem muito bem como trabalhar preconceitos ficariam admirados.

Outros educadores falavam com tanto carinho dos alunos e do interesse dos estudantes pelos projetos que eu não acharia nada estranho se algum deles desse uma de avó e começasse a tirar fotos dos alunos de dentro da carteira para mostrar para todos. “Os alunos foram fantásticos, eles que tocaram todo o projeto. Eu só precisei dar o empurrão inicial”, contou a professora Maria Ladjane, da Cidade Júlia, extremamente orgulhosa dos resultados do projeto de valorização do bairro. “Eles, dos pequenos aos maiores, foram todos uma graça.”.

O clima na Mostra era tão bom e os resultados positivos tão claros que mesmo aqueles que não eram nem professores, nem alunos enchiam a boca para elogiar. Daniela Gentil, gerente de Responsabilidade Social da Ultragaz(uma das empresas parceiras da Ação Comunitária), disse o quanto é bacana ver os bons frutos que podem ser colhidos de um trabalho tão sério quanto o da Ação. Ela elogiou também o sistema de avaliação da ONG (o SAMIS – Sistema de avaliação de mudanças e impactos sociais), dizendo o quanto é positivo para uma empresa grande como a Ultragaz saber direitinho como os seus recursos têm sido investidos.

A próxima Mostra organizada pela da Ação Comunitária só vai acontecer no final de 2009. É até bom saber disso, pois vou ter o ano todo para indicá-la para os meus colegas professores. Quem sabe eu não acabo tendo o privilégio de ver uma mostra cultural tão interessante assim em um dos colégios em que trabalho, não é verdade?


Ulisses Ardit




O livro "Eficácia no Terceiro Setor - 40 anos da Ação Comunitária" (Editora Saint Paul, 2008) traz conteúdos institucionais e técnicos sobre os programas sócioeducativos criados pela Ação Comunitária, cujo objetivo é gerar ações inovadoras direcionadas à mudança da qualidade de vida de crianças, adolescentes e jovens que vivem com suas famílias em regiões carentes da Grande São Paulo.

Nele, as pessoas tomam conhecimento de muitos projetos realizados pela ONG e pelas comunidades que ela abrange e administra.

A Ação Comunitária atua como intermediária entre a sociedade e a população beneficiária de seus programas. Portanto, a autoria do investimento social e o crédito pelos resultados obtidos devem ser atribuídos àqueles que são de fato os agentes de transformação social, ou seja, todas as empresas e cidadãos que investem nos programas sociais operados pela organização.

É a essas pessoas, físicas e jurídicas, que a Ação Comunitária deseja homenagear por ocasião das comemorações de seus 40 anos. Ao longo de todos estes anos, o altruísmo e a solidariedade desses parceiros mantiveram viva a organização, viabilizando a continuidade de um trabalho que já beneficiou mais de 110 mil pessoas.

Todos aqueles que trabalharam no livro esperam que os leitores encontrem nos textos motivações para, se ainda não o fizeram, abraçar uma causa social que contribua para a construção de nosso país e de cidadãos conscientes do seu papel na sociedade. A ONG Ação Comunitária existe para descobrir potenciais e fazer com que crianças e jovens de comunidades carentes descubram suas personalidades e resgatem a auto-estima que porventura a convivência com lugares de maior pobreza de recursos traz.

A obra foi escrita em conjunto por educadores e líderes comunitários da ONG homônima, com consultoria de Maria Cecília Roxo Nobre Barreira, que é Doutora em Serviço Social pela Pontífica Univesidade Católica de São Paulo e prefácio de Antônio Carlos Gomes da Costa, que é coordenador do grupo de trabalho da Unicef que participou da concepção do Estatuto da Criança e do Adolescente e é também presidente do CBIA (Centro Brasileiro para a Infância e a Adolescente), além de ser vencedor do Prêmio Nacional de Direitos Humanos em 1998.

Para quem quer conhecer mais sobre a Ação Comunitária, recomendo veementemente a leitura deste livro. Ele aborda e traz à luz muitas questões que nos fazem conhecer mais sobre o trabalho e a idoneidade desta ONG que existe há 40 anos.

Patrícia Carvoeiro


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