InterNey

Blogs como modelo de negócio, a polêmica dos posts pagos


Domingo, 21 de outubro de 2007


Estive nesse final de semana no Barcamp Rio, meu 2º Barcamp (3º se contar o Blogcamp), e até o momento o mais organizado. Há quem diga que o patrocínio fere um pouco a liberdade do evento, mas se essa verba significa fornecer camisetas, crachás, lanches, mapa do rio e bilhetes de metrô, a única coisa que consigo enxergar é a facilidade que esse investimento dos patrocinadores proporciona.

Eu e meu comparsa Inagaki organizamos dentro desse Barcamp um debate sobre o InterNey Blogs e blogs como modelo, nossa preocupação inicial era mostra o valor que o conteúdo tem dentro da nossa estratégia uma vez que vemos ele como o verdadeiro produto que é oferecido ao nosso cliente (visitante).

Porém o debate virou-se para o bom e velho assunto de sempre: monetização. Eu deveria simplesmente ter cortado o assunto já que o Nick havia vetado o assunto monetização, mas incorri no erro de deixar a coisa rolar e além de um puxão de orelha ganhei dois. O primeiro por tocar no assunto vetado, o segundo por não esclarecer algo que sou totalmente contra.

Perguntaram-me especificamente sobre posts patrocinados, a exemplo do que já fiz aqui no InterNey, quando falei sobre o Via6, disse que não sou contra esse tipo de post desde que deixe claro para o leitor e desde que o blogueiro não venda sua opinião. Eu não vou falar bem de um produto só porque me pagaram, a confiança que os leitores tem em mim não pode ser vendida por preço nenhum, por isso esse compromisso vem em primeiro lugar.

O modelo de negócio do InterNey Blogs confere ao blogueiros participantes completa liberdade editorial em seus blogs, e aceitar ou não posts pagos é política de cada um, bem como, em tese, esclarecer isso ou não. Aqui cabe um parênteses que creio que é o motivo de toda a celeuma. Eu não fiscalizo, supervisiono, oriento ou exerço qualquer tipo de controle sobre o que é publicado no InterNey Blogs, a única restrição contratual que tenho é de que ele não pode postar nada ilegal. Ao falar isso alguns entenderam que eu incentivo o post pago sem identificação, o que não é verdade.

Cada participante é escolhido a dedo, são pessoas selecionadas pelo conteúdo bem escrito e original, pela experiência que já tem com blogs e por possuírem ideais similares aos dos blogs já existentes em nosso portal. Eu não acredito que ninguém faça isso, porém cada um é livre para fazer o que bem entender e na minha visão essa liberdade de expressão é uma das principais características da blogosfera.

Vender conteúdo editorial é, dentro da velha mídia, errado, muito errado. É um crime ético, passível de ojeriza e horror pela classe jornalística. O impressionante é que para nós leitores, e agora estou mudando um pouco de chapéu, é absurdamente óbvio que muitos o façam, alguns de forma mais escancaradas que outros. Voltando ao papel de blogueiro, não é meu intuito copiar as piores práticas da velha mídia, outro ponto um pouco confuso da palestra.

O que declaradamente o InterNey Blogs copia da velha mídia é o modelo de publicidade, onde ele oferece anúncios ao custo de um valor por mil impressões, e para apoiar o processo de decisão do anunciante será fornecido em breve um mídia kit com dados detalhados sobre nossa audiência e público alvo, segmentado por canal e blog.

A idéia de post patrocinado, que eu prefiro chamar de review, é inspirado nos moldes do que faz a PC Magazine, uma referência positiva que tenho do mercado editorial de informática, e essa é uma referência minha, pessoal, e não tem relação com minha opinião ou orientação para os demais participantes do InterNey Blogs.

Blogs são escritos por pessoas, existem pessoas que blogam com fins educacionais, outros buscando criar reputação para obter melhores empregos, outros fazendo ensaios para publicar livros. É ilusão acreditar que blogs trarão para a internet apenas o lado bom das pessoas, se a minha opinião serve de referência apesar de nunca ter buscado me tornar um ícone ou coisa do gênero, quero deixar claro que se o objeto do post for pago o leitor será avisado. Se outros blogueiros querem fazer o mesmo ou não fica a critério de cada um, a blogosfera brasileira, felizmente, é livre.

Posts similares:
"Blogagem Inédita" - Detalhes
Lista de links, qual é a sua?
O caso Estadão e Andrew Keen




(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes e são publicados aqui automaticamente sem intermédio de um censor ou editor. O InterNey.Net não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar. Comentários inadequados serão removidos posteriormente.)

Bruno Fontes - url
É difícil um encontro de blogueiros que não passe pelo assunto "monetização". Mal ou bem, todo blogueiro, por mais que escreva por hobbie, se interessa em ganhar algo com isto. Mesmo se seja o suficiente para pagar apenas o próprio blog.

De qualquer forma, monetização não foi o assunto principal do BarCamp Rio. O que o tornou muito proveitoso.

Falando nisso, parabéns pelo debate. Gostei muito.

Thiago - url
me parece que tudo bem, Edney. não quero agora ficar aqui discutindo ponto-a-ponto seu post e seus argumentos.

a única coisa que me vem verdadeiramente à memória quando li seu post e quando leio posts similares pela blogosfera é o tempo em que blogar era "apenas" uma reunião de amigos, promessas de cerveja no fim de semana, opiniões, críticas, sugestões... e ficamos aqui, eu e minhas lembranças, sem saber de verdade onde foi que a coisa virou o que virou.

apesar de parecer discurso saudosista, penso que essas minhas lembranças vagueiam por muitas cabeças por aí. quando blogar era só blogar...

mas parabéns pelo sucesso e aos organizadores de mais um BarCamp.

abraço!

cilene - url
Sou a favor, e os jornalistas fazem isso muito, mas fazem desfaçada de notícia. Então essa coisa deles é conversa para boi dormir. São poucos os jornalistas que não se deixam levar por essa prática. Nunca me deixei, mas nunca ganhei dinheiro como meus colegas. Acho que o blog é da pessoa e ela pode vender o espaço para quem quiser desde que não seja nada nocivo a terceiros. Agora tenho uma dúvida. Esse negócio de conteúdo me deixa muito com alguma coisa atrás da orelha porque posso ter o melhor conteúdo do mundo e acho que ainda não farei sucesso com meu blog. No fundo as pessoas precisam conhecer as ferramentas de SEO e saber usar. Isso, parece, basta. Blog de notícias não faz sucesso nenhum na área financeira.

Ah muito obrigada!!!

Wagner Fontoura - url
Acho sua postura quanto a esse tema correta e apropriada ao atual estágio da blogosfera.

Ostrock - url
A mídia tradicional sempre vendeu espaço para publicidade, e ao meu ver, nos blogs vende quem quer.

O problema todo é que muita gente ainda tem aquela visão romântica dos blogs, como o último reduto da opinião descompromissada.

O que importa, como dito, é não vender a opinião.

Edney Souza - url
Oi Thiago, existe ainda o blogueiro que blog por prazer e são muitos.

Porém é uma figura que, na minha opinião, por tratar o blog como hobby não desloca-se para esses encontros para debater o desenvolvimento e crescimento do seu blog.

Talvez tenha de se organizar uma liga dos blogueiros amadores ou coisa do gênero e agrupar essa galera, ou parte dela, de alguma forma para facilitar a troca de idéias para quem blogar é, e felizmente sempres será, uma diversão.

Manoel Netto - url
A unica diferença entre os blogs e a mídia tradicional é que nós compartilhamos com nossos leitores as nossas discussões "internas" e possibilitamos que eles interajam conosco. Transparência é fundamental para o sucesso do formato, seja ele com ou sem fins lucrativos.

Abraço

Edney Souza - url
Cilene, grande parte das técnicas básicas de SEO já são colocadas em prática automaticamente quando você usa uma ferramenta como wordpress ou b2evolution.

Registrar um domínio próprio é importante para acumular todos os seus links recebidos em um único endereço.

Além disso é fato que alguns assuntos chamam mais atenção do que outros, porém a composição da internet mudará muito em breve, um grupo mais heterogêneo de pessoas deve trazer à tona interesse por conteúdo pouco procurado atualmente.

Sobre esse tema recomento o ótimo post da Nospheratt: http://net-dinheiro.blogspot.com/2007/10/o-nicho-vai-pegar-segunda-revelao.html

Jonny - url
Eu acho legal os posts patrocinados, desde que o patrocinador aceite elogios quanto críticas!

Imagine uma marca de bebida pagar $$$ para você falar sobre ela e você comenta "nossa, que lixo! além de me deixar com um gosto horrível na boca, me deixou depois com uma p... dor de cabeça!!"

Edney Souza - url
Jonny, por motivos similares a esses eu já recusei fazer alguns posts patrocinados.

Anderson - url
Se meu blog desse alguma grana, eu juro que me preocupava com essa discussão... rs

Aliás, a discussão tá muito detalhada para o nosso microcosmo. Cadê a galera amadora?

1abs.

Jonny - url
Mas Edney

Não é ai que mora o perigo?
Fazer reviews é legal quando você pode falar bem quanto falar mal.

Fazer reviews só de coisas boas é ruim para a imagem, não?

(indiferente de ganhar ou não para isso).

Ligeirinho - url
Participei do barCamp e achei muito apropriado este tópico, primeiro como forma de esclarecimento, segundo pela oportunidade de debatermos um assunto que todos temos interesse (pelo menos dos presentes), que é de ganhar grana com o blog, e por fim a forma clara e inteligente que nos foi apresentada suas idéias. Que tenhamos outros BarCamps : ) 

Edney Souza - url
Jonny,

Quando o assunto, na minha opinião, não é interessante para o público do meu blog eu me nego a fazer o review indiferente da proposta financeira, não faz sentido empurrar algo indigesto para o leitor.

Quando eu encontro algo que está fazendo um certo burburinho na internet eu gosto de escrever e vou escrever sobre isso, seja pra falar bem ou falar mal, o importante é dizer o que penso.

Quando alguém procura por um patrocínio, eu explico, resumidamente, para o possível patrocinador o que acho do produto dele, caso ele concorde a coisa segue adiante.

Indiferente de ganhar ou não eu continuo falando de produtos e serviços de internet pois esta é uma das vocações desse blog, e falo bem ou mal pq há coisas que gosto e outras que desgosto.

catatau - url
uma observação: a campanha de vocês do via6 não pareceu separar o marketing do blog.

abração,

Edney Souza - url
catatau, "vocês" não, quem escreveu o artigo, tanto esse quanto o do Via6, foi apenas eu, e quero deixar claro que o que estou discutindo aqui é minha opinião e a de mais ninguém no InterNey Blogs.

Eu começo o texto dizendo "A equipe do Via Syxt me encomendou um review".

O texto é franco e contém minha opinião sobre o produto, pontos positivos e negativos.

Infelizmente o leitor desatento não notará mesmo que eu pinte o texto de outra cor. Digo isso porque na mídia tradicional muitas vezes a página é de outra cor, conteúm um logo explicitando que a matéria e publicitária e ainda assim muitos leitores não notam.

Edney Souza - url
Ligeirinho!

Você devia ter chegado até minha pessoa e dito "Oi InterNey, Sou o Ligeirinho", fiquei sem conhecê-lo. Provavelmente falei contigo mas não lembro quem é! : ( 

Ligeirinho - url
Pô Edney, se liga só: quando o Ina e o Ian estavam almoçando, eu estava lá com eles! Conversamos (eu e vc) sobre a reportagem que saiu sua na revista, eu pensei quer era na Info Exame e você me corrigiu dizendo que foi na Exame (peguei o link da reportagem pelo Twitter), lembrou agora? (he he he). Mas eu concordo que tinha muita gente e não deu pra saber quem era quem no meio do povo : ) 

Bem, agora é nos programarmos para o próximo BarCamp : ) 

(estarei no de BH com certeza!)

Edney Souza - url
Credo, conversamos MUITO e eu não sabia que vc era o Ligeirinho :P sim, estou lembradíssimo : ) 

Tonobohn - url
Edney, no seu caso, como cada blog continua com sua individualidade, acho correto você não "fiscalizar" os posts patrocinados que podem acontecer eventualmente.

Porém no caso de uma rede fechado, onde todos os blogueiros escrevem no mesmo lugar, deve estar previsto esse tipo de post no contrato sim. Em um modelo como o NossaVia por exemplo.

Abraço

Wolney - url
Eu conheci e comecei a blogar pensando em ganhar dinheiro através de uma atividade que eu gosto: Internet marketing (tudo em inglês).

Há poucos meses criei meu primeiro blog em português (citado aqui) para ampliar meu projeto pedagógico na universidade. Estou adorando.

Em todos os casos, monetizar faz parte da minha agenda. Agora, publicar matérias pagas, vai mesmo de cada um, de acordo com seus princípios e projetos bloggueiros.

Penso inclusive que esta temática, monetização, deveria ser mais discutida, pois, mesmo que tenhamos certas vocações, creio que elas podem nos ajudar a faturar um extra com os blogs. Acredito que isto irá crescer em breve nas terras tupiniquins.

msinfo - url
Internacionalmente issso é mais comum, tem caras faturando muito com isso.

André Uratsuka Manoel - url
Edney, sobre ilegalidade, posts que são propaganda velada, sem indicar que são pagos violam o Código de Defesa do Consumidor:

Art. 36. A publicidade deve ser veiculada de tal forma que o consumidor, fácil e imediatamente, a identifique como tal.

As punições podem ser, entre outros, multa, contra-propaganda, suspensão de atividade, interdição, e ainda podem existir punições civis e penais. Sinceramente, não sei o que isso significa realmente, mas, de fato, posts pagos em que não se indica que são publicidade são ilegais.

Edney Souza - url
Tonobohn, concordo contigo.

É importante esse debate e a reflexão em conjunto, mas cada blogs, rede, ou projeto deve buscar sua própria identidade e estabelecer o que acredita ser o mais justo.

A blogosfera não é uma coisa só, tem muitas caras e objetivos, é uma massa fragmentada e heterogênea e provavelmente continuará assim para sempre, dando espaço para a diversidade que não tinha seu lugar na velha mídia.

Edney Souza - url
André, obrigado por trazer uma nova luz ao debate, com certeza saber que isso está no código de defesa do consumidor tende a levar a discussão para outro nível : ) 

Garrit - url
Infelizmente não pude ir ao barcamp, compromissos pessoais com a patroa já agendados me impediram, acredito que monetizar é importante (fundamental até; ) , mas não se pode perder as características, assim como acho importante sempre avisar se um post é pago ou não, além de uma questão de ética é uma questão legal, como bem lembrou o André.

No meu caso específico comecei o blog como um ensaio para um livro (parece que foi p/ mim essa rs),me apaixonei pela mídia e, como homem de marketing que sou, já vislubrei infinitas possibilidades, inclusive desenvolvendo outros projetos pessoais de blogs, com conteúdos voltados para determinados nichos de mercado carentes de informação de qualidade na net a respeito.

Nesse nosso mundo identidade é fundamental e cabe a cada um desenvolver a sua, com suas próprias regras éticas e morais, quer seja num blog independente, num grupo ou qualquer coisa parecida, é isto, aliado a conteúdo de qualidade que vai fazer com que um blog dê certo ou não, o resto é balela.

Thássius - url
Durante o BarCamp isso foi levantado e a frase com a qual mais concordo foi a seguinte: "um blogueiro não pode vender sua reputação/credibilidade". Para mim quem faz isso já deixou de ser blogueiro.

Um exemplo claro é o JohnChow. De uns tempos para cá o blog dele mais parece um mercado, cheio de propaganda. Mas ele avisa isso nos posts e acho que é suficiente.

Dizer ou não se a resenha é paga vai de cada um. No momento eu adoto a política de avisar pelo menos ao fim do post. E sempre que resenhar algo, me reservarei o direito de falar mal. Meu bem maior é meu nome e minha palavra.

Sergio F. Lima - url
Opa Interney e todos!


Eu sou um bogueiro amador (no sentido que não tenho interesse em ganhar dinheiro com blogue) e que vou a barcamps : - ) 

Pra mim, as coisa não é tão simples assim, separar em blogueriso profissionais e amadores...

Mas o ponto central é que quando rola grana no meio (e não tenho nenhum preconceito em ganhar ou com quem ganha dinheiro) as conversações ficam, as vezes prejudicadas, pois rola essa paranóia de ser linkado, de ser relevante, de crescer a audiência e outras cositas que embaçam as conversações....


Mas, enquanto o mundo for mundo, essas coisas não serão resolvidas : - ) 


[]s

Edney Souza - url
Oi Sérgio, eu prefiro amador no sentido de quem ama o que faz : ) 

E também prefiro conversas em rodas menores como vc citou no seu post, acho que gera menos ruído. :P

Gisele H. - url
Pois então. Vou me pronunciar como blogueira. Eu concordo com o Sergio, essa mendicancia por links é muito chata. Para mim, blogueira amadora há anos e pertencente a uma comunidade de blogs onde a maioria se conhece pessoalmente, é muito engraçado. E acho muito mais xarope o conteúdo que invento para barganhar links e aparecer do que o conteúdo publicitário. Como jornalista, fico passada com essa coisa de mencionar que o post é pago. Como publicitária, acho que os primeiros que inventaram essa história foram geniais. MAs, como meu trabalho é justamente contratar este tipo de trabalho, acho melhor nem dizer mais nada.

Edney Souza - url
Gisele, eu achava que as coisas eram complicadas para mim, você acabou de me mostrar na prática que nada é tão difícil que não possa piorar : ) 

Gisele H. - url
Ah, ali não é conteúdo que invento. É que inventam. Eu não invento nada para ganhar links em troca.

Edney Souza - url
Gisele, qdo falei confusão me referi a diversidade de papéis: blogueira, leitora, jornalista e publicitária! : ) 

Gisele H. - url
Putz, eu escrevi tudo errado!
Eu fico passada com essa coisa de NÃO mencionar que o post é pago.

Gisele H. - url
Ah, e sim. Faltou o papel mestranda pesquisando publicidade em... blogs!

Dri Santos - url
Parabéns pelo debate!!!
gostei muito da sua opinião e concordo plenmante. não se deve vender opiniões!!!

Ian. - url
Como responsável por posts publicitários em muitos blogs, não posso deixar de me manifestar.

É fato que a publicidade tradicional na internet, em forma de banners e similares, muitas vezes não possui a eficácia ideal (para anunciantes e blogueiros). Por isso a migração da publicidade para o conteúdo dos blogs.

Isso tem incomodado principalmente alguns jornalistas. Nesse caso, agem como um adulto para com seu filho: para algumas coisas ainda são crianças, para outros já são adultos. Explico: Quando um blogueiro se posiciona como formador de opinião, é criticado por não possuir as devidas credenciais acadêmicas. Quando o blogueiro decide mesclar publicidade e conteúdo, é criticado por supostamente vender sua opinião, ou profanar um lugar que é sagrado.

Há muitos exageros. Principalmente porque é cada vez mais comum a tag publicidade num post, semelhante ao informa publicitário em revistas como a Superinteressante, que comumente veicula propagandas utilizando o design de suas páginas.

Cabe ao blogueiro, sim, avaliar uma proposta publicitária e negar sua veiculação caso esta fira os seus princípios. Mas ainda assim, todo blogueiro é livre para veicular publicidade como bem entender.

Acredito que a publicidade em forma de conteúdo é muito mais uma possibilidade de profissionalização da blogosfera.

Pedro Markun - url
Ian,

a questão não é você usar ou não o miolo do blog para veicular um texto-publicitário. O problema é fazer de um jeito que o seu leitor não saiba que aquilo é um texto-publicitário.

Como o André Uratsuka Manoel falou ali em cima, isso é crime.

Publicidade em forma de conteúdo é uma coisa. Disfarçada de editorial é outra. Muda a tabela de preço, muda o valor ético e muda o status legal.

E cuidado com o Asteróide Pallas.

Thiane - url
Olá Edney, concordo com vc. Post pago ou patrocinado é uma tendência, desde que o blogueiro possa falar o que bem entender. O importante é não "prostituir" o mercado de nenhum dos lados -- patrocinador e patrocinado. Mas acho que esse risco é ainda o que gera polêmica e um certo medo. Na minha modesta opinião, se blogueiros querem ter e dar cada vez mais chance à blogosfera e à Web no Brasil, precisam colocar a ética em primeiro lugar, sempre. Abraços

Romullo Pontes - url
Edney, valeu pelo comentário! Gostou da entrevista com a Bela? haha!

Seguinte, achei a discussão sobre posts pagos muito interessante. Deveria ter exposto meu ponto de vista lá, mas travei. A aula de debates do Cardoso teria ajudado.

Assim, lá no Blog do Noel, um post patrocinado é conteúdo como qualquer outro não pago. Acredito que meu leitor já consegue diferenciar um post normal de um pago, portanto não vejo problemas em não deixar claro quando o post é patrocinado. Se ele não gostar, ele não clica. Simples. Dificilmente alguém reclama e quando reclamam é por causa de detalhes extras.

Na cabeça de blogueiros publicitários, posts pagos é coisa muito normal - vide Carlos Merigo em seu Brain Storm #9 que só fala de campanha brasileira quando é pago pra isso. Nós escrevemos sobre o que quisermos e se recebermos pra isso, melhor ainda. Já os jornalistas, são obrigados a escrever. Uma coluna de tecnologia tem que ter conteúdo, não pode esperar um post pago pra isso. Por isso os releases são enviados aos montes e quase sempre são atendidos.

Para mim, escrever posts patrocinados é juntar a fome com a vontade de comer. Além do mais, ainda faço um treinamento de redação publicitária, técnicas de persuasão, entendimento de mercado, etc.

Edney Souza - url
Pois é Romullo, tem 3 tipos de leitores, aquele que te conhece e sabe quando é propaganda e quando não é, o que não te conhece e acha que TUDO é propaganda e aquele que não te conhece e acha que NADA é propaganda. Que nem no caso da propaganda do Citroen, que mesmo avisando que era publicidade teve gente que não entendeu.

Mas muita água ainda vai rolar sobre esse assunto : ) 

Rodrigo - url
A vida de um blogueiro é cheia de dilemas.

Muitos blogs começaram como uma brincadeira que em um momento tomou vida própria. A decisão de mantê-lo atualizado, produzir conteúdo com regularidade, dar resposta rápida a seus leitores e manter uma linha editorial não deixa de ser um dilema. Sair do descompromisso e evoluir para um amadorismo responsável?

Todo blogueiro que decidiu em algum momento por evoluir pensou na monetização do blog, nem que seja para bancar os projetos do mesmo ou seus custos de hospedagem e etc.

Como crescer em um ambiente de credibilidade onde a expressão da sua opinião não seja afetada pelo seu próprio crescimento? Hoje vivo dilemas jurídicos que nunca antes passaram pela minha cabeça: Como expor minha opinião sobre um serviço ou produto de forma clara e imparcial sem se expor em receber um processo no futuro (eu posso ganhá-lo, mas não tenho tempo ou recursos para ficar me defendendo o tempo todo no judiciário)? Falar bem de algo é fácil e como falar mal? Como fazer que uma propaganda seja claramente exposta como tal para todos como manda o código do consumidor? Como fazer um post patrocinado sem que seu leitor coloque em xeque sua credibilidade? Como crescer e expressar-se sem assustar aqueles que podem um dia utilizar-se do seu espaço para a vinculação de propagandas afins?

Vivo esses dilemas, entre outros, no meu blog, cujo tema central são as passagens aéreas e os serviços prestados pelas cias aéreas.

Não consegui ainda fazer um post pago ou patrocinado (conseguir um press release já é um dificuldade), seja pela total falta de interesse das cias em por seu produto a prova em um ambiente independente ou pelo impacto de um post desse tipo sobre minhas futuras avaliações dessa cia aérea.

Concluindo, quanto mais o blog cresce, mais complexo e cheio de responsabilidade fica o ato de blogar.

Edney Souza - url
Pois é Rodrigo, e quando alguns com os mesmos problemas se reúnem buscando auxílio mútuo tem de ir uma galerinha não interessada só pra ficar apontando o dedo e tirando sarro...

carlos - url
Edney,

Essa história me faz pensar no caso recente do Deputado Paulo Renato (teoricamente um ótimo tucano, elogiado ministro da educação, cogitado para concorrer com o Lula, mas pelo visto outro pilantra), que fez artigo criticando a "venda" do banco de Santa Catarina para o BB.. e esqueceu de apagar as mensagens trocadas com o presidente do Bradesco no email em que enviou o artigo....
Ou ainda no caso apontado pelo Ombundsman da folha, hoje, falando que o caderno turismo da folha avaliou o hotel e a companhia aérea que pagaram a viagem dos reporteres, numa notícia (isenta??)...

Se não se pode confiar na opinião de pessoas e veículos dessa representatividade, que dizer em post nos blogs.
(ver em: http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/blogs.asp?id={3E8FA7FF-AB6F-4AA1-9B8F-7A882C330094}&id_blog=3)

Eu da minha parte, não sei se acredito nessa história de "blogs de referência" e "formadores de opinião"... exceto talvez em assuntos de nichos muito pequenos. E se já desconfio do que leio na imprensa escrita, que tem toda uma máquina de verificar fontes e histórias, que dizer de blogs.

Prefiro ao contrário, acreditar que blog é isso mesmo, um ambiente onde qualquer idéia pode ser defendida e apresentada, qualquer produto pode ser chutado ou elogiado, e que portanto não é exatamente a fonte de informação mais crível do mundo.

Quer mais um exemplo interessante, agora na WEB: Tem um site que comenta os cursos de oratória, e o autor do site diz que fez vários cursos pilantras, e só gostou de um deles... ai, vai ver no registro, e o site do "consumidor" está em nome do dono do curso elogiado...

Por essas e por outras que tanto faz se o cara vende a opinião ou não.

Abs.
Carlos

Edney Souza - url
Carlos,

Do ponto de vista da credibilidade e da influência o blogueiro tem, pra mim, a mesma importância que os famosos colunistas. Tem colunista que é de fato referência e ourtos que tentam ser, cabe ao leitor discernir.

Qto a suposta máquina da imprensa para verificar os fatos, quem verifica são pessoas, passíveis dos mesmos erros que as pessoas que blogam, e pasme, muitas vezes o jornalista que faz a verificação é o mesmo que depois escreve sobre o assunto no seu blog.

Vc está certo em olhar tudo com desconfiança, a visão crítica do leitor depende apenas do leitor, já exigir que todos os escritores sejam éticos demanda um pouco de fantasia em excesso.

Társis - url
Edney, parabéns pelo post.

Acho tua postura correta, a liberdade precisa ser respeitada, acima de tudo.

Como o Markun disse acima, publicidade disfarçada de matéria tem outro o valor ético.

Muito apropriado que os blogueiros utilizem os recursos multimídia procurando se livrar dos velhos e perniciosos vícios existentes na mídia impressa e televisiva.

Metade da graça da internet está nisso! : D 

Abs!



PS: vc joga videogame muito mal.

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